Encerramento de escolas e universidades e alunos distantes das salas de aula. Pode-se observar este cenário em diversos países, o que não se verificava desde a Segunda Guerra Mundial, evidenciando, novamente, todo o zelo que devemos ter para com o ensino, que desta vez foi colocado à prova pela COVID-19, trazendo à superfície as suas fragilidades.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), agência da ONU responsável por acompanhar e apoiar a educação, comunicação e cultura no mundo, a pandemia do coronavírus já impactou os estudos de mais de 1,7 mil milhões de estudantes em cerca de 188 países, o que representa 91% do total de estudantes em todo o mundo.

No meio deste panorama assustador e conturbado, os estudantes têm sido afetados negativamente pelo encerramento dos estabelecimentos de ensino. Desigualdades no acesso aos meios digitais, dificuldades de concentração, falta de preparação de alguns professores para este novo modelo de ensino, degradação da saúde mental dos jovens e dificuldades acrescidas na entrada no mercado de trabalho são algumas das preocupações apontadas pelos especialistas. 

Um estudo realizado pela Organização Mundial do Trabalho (OMT) concluiu que um em cada dois jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos têm risco acrescido de desenvolver perturbações de ansiedade ou depressão, enquanto outros 17% já se encontram afetados por estas condições. 

Muitos dos problemas de saúde mental começam aos 14 anos, o que significa que crianças e jovens correm um risco acrescido na crise atual.  Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde, relativos a 2015, o suicídio é a segunda causa de morte em jovens com idades compreendidas entre os 15 e 29 anos.

Os efeitos da pandemia não estão apenas relacionados com a educação em si, mas também com as condições sócio-económicas e o ambiente habitacional em que os indivíduos vivem. Stress familiar, isolamento social e risco de violência doméstica são outros problemas que não devem ser esquecidos na equação da pandemia.

De acordo com estudo da OIT (Organização Internacional de Trabalho),  apenas 65% dos jovens dos países com rendimento elevado tiveram aulas online, o que, apesar de tudo, é um número superior ao que se verificou nos países com rendimento médio (55%) ou com baixo rendimento (18%).

De 1970 para 2011, a taxa de analfabetismo em Portugal baixou de 25,7% para 5,2%, de acordo com os Censos 2011. A existência deste método de ensino à distância pode vir a agravar estes números não só em Portugal, mas também um pouco por todo o Mundo. 

As aulas presenciais são fulcrais para os estudantes. Devido ao ensino à distância, mais de metade dos jovens consideram ter aprendido menos do que se estivessem numa sala de aula e cerca de um décimo teme que venha a reprovar como consequência desta situação.

Guy Ryder, diretor geral da OIT, afirma que «a pandemia está a causar vários choques nos jovens. Não só está a destruir os seus empregos e as suas perspetivas de emprego, mas também está a perturbar a educação e a formação e a ter um sério impacto no seu bem-estar mental. Não podemos deixar que isto aconteça.»

As perspetivas de carreira são dominadas pela incerteza e pelo medo, uma vez que os jovens fazem uma avaliação pouco positiva da sua capacidade de concluir a educação e a formação nestas condições. As perceções dos alunos sobre as suas perspetivas de carreira no futuro são sombrias: 40% enfrentam o futuro com incerteza e 14% com medo.

Mas nem tudo é tão negativo nesta pandemia. São várias as associações e instituições que se uniram no apoio à educação. Uma delas é a Universidade de Aveiro, em que vários universitários voluntários, de diversas áreas científicas, estão dispostos a prestar apoio ao estudo, online, a quem dele necessitar numa altura em que as escolas estão a funcionar com ensino à distância, devido à pandemia. Esta é uma iniciativa direcionada a alunos do ensino básico, do 1º ao 9º ano.

O Santander também não quis ficar de fora desta união em prol dos estudantes nacionais. Com o objetivo de promover o acesso e a permanência dos mesmos no ensino superior de forma inclusiva, irá aumentar o número de bolsas, particularmente as Bolsas Santander Futuro, que se destinam a estudantes universitários com recursos económicos limitados. Reforçando também as Bolsas Santander Global, que, no fundo, são complementares aos programas de mobilidade como o Erasmus.

2021-04-08T12:11:50+01:00By |Atualidade|

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