As notas mínimas de entrada no Ensino Superior alcançaram este ano valores excecionalmente escaldantes face aos anos transatos, mas as engenharias mantiveram o seu papel de liderança na tabela.

No passado dia 26 de setembro foi quebrado o silêncio que assombrava os jovens estudantes portugueses.  Os resultados da 1ª fase de acesso ao Ensino Superior chegaram por SMS/email a um número recorde de 62 675 candidatos. Mesmo com a amplificação de vagas disponíveis para este concurso nacional, cerca de 12 mil candidatos não tiveram lugar, podendo candidatar-se à 2ª fase do concurso que arrancou dia 28 de setembro.

As notas mínimas de entrada no Ensino Superior alcançaram valores excecionalmente escaldantes face aos anos transatos, mas as Engenharias mantiveram o seu papel de liderança na tabela. O curso de Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico, que detinha, no ano anterior, a medalha de ouro, divide este ano o pódio não só com o curso de Engenharia Física e Tecnologia da mesma instituição, mas também com a estrela em ascensão: Engenharia e Gestão Industrial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, tendo o último candidato sido colocado com a média de 19,13 valores.

Há, ainda, outro curso que ultrapassa a dura barreira dos 19 valores, Bioengenharia na Universidade do Porto, que exibe um 19,10 como nota do último colocado, o que, à semelhança do curso de Engenharia e Gestão Industrial administrado no mesmo local, fez com que se esgotasse as vagas.

Os estudantes destes cursos, que nos últimos anos excederam os de ciências médicas no pódio das classificações de acesso, e que se integram certamente entre aqueles que o ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior crê estarem «em ciclos de estudo com maior concentração de melhores alunos», colaboraram para o incremento de 29%, relativamente a 2019, do denominado “índice de excelência dos candidatos”, que teve um crescimento de 1.540 para 1.984 colocados.

O leque de vagas disponíveis do concurso nacional cedia 12.697 a Engenharia (mais 1.373 do que em 2019). Contudo, foram ocupadas nesta 1ª fase de acesso 10.227 vagas (face a 8.866 em 2019), preenchendo 95,75% das vagas disponíveis nas Universidades e 57,47% nos Institutos Politécnicos.

Com um olhar minucioso, registamos as taxas de colocações das várias especialidades, considerando o Ensino Universitário Público e o Ensino Politécnico: Naval e Materiais (com colocações acima dos 100%), Química e Biológica (93,82%), Informática (89,58%), Florestal (87,50%), Mecânica (82,61%), Geológica e Minas (79,00%), Eletrotécnica (76,88%) e Ambiente (60,06%).

De acordo com os dados estatísticos divulgados pelo Eurostat, Portugal ocupava, em 2016, o segundo lugar na tabela do número de estudantes formados na área de Engenharia (21% dos quais, 15.545 estudantes, licenciaram-se nesta área) antecedido pela Alemanha (22%) e precedido pela Áustria (20%), sendo a média na UE de 15%.

Já numa perspetiva nacional, a área de Engenharia intitula-se como a que formou um maior número de licenciados, seguindo-se Economia e Gestão (13.944), Saúde (13.305) e Ciências Sociais e Jornalismo (8.247), em 2016. Contudo, segundo o Presidente do IST, Arlindo Oliveira, Portugal ainda carece de 15 a 20 mil Engenheiros.

Um estudo da FEUP/Universidade do Porto realizado  a 581 graduados após o término do curso, em 2018, permitiu concluir que cerca de 5% dos Engenheiros obtêm emprego antes de terminar o curso, cerca de 33% demoram 1 a 3 meses, 51% demoram 3 a 6 meses, 1% mais de 6 meses, 2% deles continuam a investir na formação e 8% estava desempregado até à data.

A versatilidade e abrangência dos cursos de engenharia bem como a capacidade de adaptação a novas situações garante uma formação a longo prazo, registrando os melhores índices de empregabilidade do mercado. Contudo, nem todos os Engenheiros encontram em Portugal o local ideal com as condições expectáveis para dar seguimento à sua carreira, procurando opções supranacionais que assegurem valorizações salariais justas e que permitam explorar o seu potencial, como é o caso de Inglaterra e Alemanha.

2020-10-07T19:45:21+01:00By |Atualidade|

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