Na voz de Tiago Morais, um estudante de 22 anos proveniente de Mirandela, iremos levantar o véu sobre a nossa “Veneza Portuguesa” e encontrar as respostas para aqueles que a colocam na sua lista de opções de ingresso no Ensino Superior. De forma autêntica, Tiago descreve a sua experiência na Universidade de Aveiro e partilha connosco alguma sabedoria quotidiana e dicas para transbordar as expectativas dos futuros vindouros.

Aveiro foi a escolha deste estudante de Biotecnologia, em 2016, devido à rica oferta curricular que coincidia com os seus interesses, bem como com qualidade do setor de investigação. Garante que, ainda hoje, se encontra muito satisfeito com a escolha. A cidade de Aveiro recebe anualmente mais de 2000 novos alunos.

-Como encontrar o espaço ideal e a bom preço em Aveiro?

Ao longo dos anos, a procura de casas associada ao crescente valor do preço das rendas tem-se revelado um dos maiores obstáculos para encontrar uma casa.

Em 2016, a Universidade disponibilizava, no pacote de boas-vindas aos novos estudantes, uma lista com contatos e creio que tal ainda se verifica nos dias de hoje. Outra opção são as plataformas digitais, como os grupos no Facebook que expõem alguns anúncios e outras informações relevantes.

Vivo num apartamento relativamente perto da Universidade de Aveiro, junto do Convívio e da Mário Sacramento, e pago um valor que ronda os 200€ por um quarto individual, sendo este o valor comum na região de Aveiro. As residências de estudantes situam-se, na sua grande maioria, no Campus Universitário, havendo algumas localizadas na cidade, a poucos minutos da Universidade. Aconselho também o Bairro do Liceu.

-Como funciona a rede transportes da cidade? É satisfatória para um estudante?

Para quem vive perto da estação, existem autocarros da Estação – Universidade, efetuando paragens no interior do campus. Devido ao perfil plano da cidade e à grande aposta nas ciclovias, a bicicleta também é uma excelente opção.

Para aqueles que vivem fora da cidade, poderão fazer os percursos usando o carro ou o comboio. Contudo, o estacionamento tem sido problemático, quer no campus quer na cidade, o que se tem vindo a intensificar ao longo dos anos.

-Quais são os melhores “spots” boémios, de convívio e de estudo, em Aveiro?

Dentro do Campus, existe o Bar de Estudante, sendo que por vezes é cobrado um valor insignificante pela entrada. Um dos locais mais acalorados pelos estudantes é a Praça do Peixe, com a sua coleção de bares de cursos e palco das “quintas académicas”, com entrada gratuita. É um local excelente para uma noite bem passada! Outra opção para saídas noturnas é a discoteca Sal, onde já se paga um preço de entrada normal, entre os 5 € e os 10 €, sendo flexível conforme as temáticas da noite.

O Café Convívio é a icónica casa de petiscos, bilhares e ponto de encontro dos estudantes aveirenses, sendo este considerado o emblemático café dos estudantes, que conta ainda com uma excelente carta gastronómica. Para passar alguns bons momentos entre amigos, o Parque do Infante D. Pedro, mais conhecido como Parque da Macaca, e o Parque do Drinks são outras alternativas igualmente boas.

Os jantares de curso estão associados a diversos restaurantes. Cada curso está, por norma, ligado a um restaurante, destacando-se dentro do campus o restaurante universitário e, fora do campus, o Monte alentejano e Ceboleiros.

Para estudar, temos a biblioteca da Universidade, que é bastante grande e acolhedora. Também temos o McDonalds (risos) que, apesar do barulho, permite um bom estudo, principalmente quando a matéria é mais prática.

Além disso, os cafés, o bar das residências e o espaço 24h, que fica dentro do campus, são outros espaços recomendáveis. Durante a época de exames há um departamento, Complexo Pedagógico que está aberto até às 6:00h. O único local em que é preciso mostrar cartão para estudar é o espaço 24h durante a noite. Já os restantes são abertos à sociedade.

-Quais são as tradições académicas típicas da “Veneza de Portugal”?

Genericamente, Aveiro é reconhecida pela faina (a praxe da UA), as serenatas e semana académica.

A Faina está ajustada a cada curso. Relativamente à minha experiência em Biotecnologia, integrei um excelente ambiente com imensos momentos divertidos que jamais esquecerei. Nunca sofri abusos, foi uma praxe completamente exequível e sem nunca pôr em causa a minha integridade. O mesmo acontece em relação aos outros cursos. Adorei e voltaria a fazer tudo novamente! Fiz parte da comissão de Faina, grupo de pessoas responsáveis pela organização da mesma. Para além das típicas praxes de cursos, os estudantes têm duas grandes praxes solidárias e obrigatórias, o Grande Aluvião e a Roncada.

Outro ponto alto são as serenatas: Serenata à Ria relativa à tomada de posse da Salgadíssima Trindade e Conselho do Salgado, bem como a Serenata à Santa Joana, que está marcada pela imposição das insígnias, o que corresponde ao patrão colocar os nós na lapela do traje referente ao número de matrículas.

Relembro e saliento que qualquer estudante, vinculado ou não à praxe, pode participar na serenata. Contudo, caso não esteja vinculado à praxe, não poderá “praxar” nem colocar os nós na lapela. A maioria dos estudantes completa a praxe, mas aqueles que desistem costumam trajar. Aconselho a todos os futuros estudantes experimentar e, caso não gostem, tem todo o direito de desistir!

A semana académica, mais conhecida como Enterro, recheada de concertos noturnos, ocorre na mesma altura das semanas académicas das restantes cidades do país. E, por tradição, na quinta-feira ocorre o Desfile dos Cursos. Os alunos de primeiro ano são os responsáveis pela construção dos carros.

-Quais são as atividades extracurriculares que a UA e a cidade têm para oferecer?

Existe a Taça UA, que consiste numa competição desportiva entre cursos, contando com várias modalidades e que decorre ao longo do ano letivo. A UA também oferece a possibilidade dos estudantes escolherem uma cadeira extracurricular a custo zero, existindo ainda o curso de línguas.

Além disso, existe ainda os núcleos académicos, podendo ou não ser aliados aos cursos, que nos ajudam a esculpir as nossas soft skills e a expandir a nossa rede de contactos. É de realçar o Gretua (Grupo Experimental de Teatro de Aveiro), o segundo núcleo mais antigo da Associação Académica da UA.

Já fora do campus, existem alguns parques propícios à prática de exercício físico, tais como o Parque Infante D. Pedro e o Parque de Drinks, bem como alguns ginásios.  Os estudantes poderão ainda ocupar o seu tempo fazendo voluntariado na Refood ou nas Florinhas do Vouga, por exemplo.

-Quais são os principais pontos de atração da cidade?

O ponto turístico de eleição é a famosa Ria de Aveiro, que poderá ser explorada através dos passeios de barco Moliceiro, que nos leva desde o Hotel Meliá ao Jardim do Rossio, passando pela Ponte dos Laços, vulgarmente denominada de Ponte dos Namorados. Um beleza avassaladora!

Como já foi dito anteriormente, a cidade dispõe de dois excelentes parques: o Parque Infante D.Pedro e o Parque do Drinks, equipados com campos de ténis e um skate park.

O Fórum Aveiro, que sobressai pelas suas particularidades arquitetónicas, e o Glicínias são dois excelentes destinos para aqueles que querem fazer umas compras.

Ainda no centro da cidade, podemos visitar a referida Praça do Peixe, a Capela São Gonçalinho e alguns museus, como o Museu da Arte Nova, Museu da Cidade de Aveiro e o Museu de Aveiro Santa Joana e claro, o bonito campus da UA.

Não podem perder as praias em Aveiro, nomeadamente a Praia da Barra e a Praia da Costa Nova. Aqui, recomendo o passeio pelo calçadão e experimentar a Tripa Doce, mais um doce típico de Aveiro, com origem na região da Costa Nova. Indubitavelmente, o grande destaque da região é o conjunto de casinhas listradas e coloridas na Praia da Costa Nova!

Além disto, as salinas, a Reserva Natural das Dunas de São Jacinto e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, um Museu de Ciência, podem ser lugares interessantes para visitar.

– Conta-nos um mito sobre Aveiro.

O bairro de Santiago é constantemente estereotipado de bairro problemático, afastando potenciais estudantes de lá viver. Embora não seja o meu caso, tenho vários amigos que lá vivem e passei lá bastante tempo, sem qualquer tipo de incidentes. Realizei voluntariado lá num projeto designado de Laboratórios Cívicos, com o propósito de inserir o bairro na restante população. Estive ligado a um contexto mais desportivo, organizando o concurso de futebol que envolvia 11 equipas quer do bairro, quer atletas do Beira Mar ou mesmo outros aveirenses, e decorreu com toda a normalidade, sem qualquer incidente.

– De forma breve, consegues enumerar duas vantagens e duas desvantagens de estudar em Aveiro?

Embora não seja uma cidade muito grande, torna-se muito fácil adaptar-se à mesma. Saliento também que a Universidade está cada vez melhor representada, estando os departamentos muito próximos uns dos outros, possibilitando, assim, conhecer pessoas de outros cursos.

Em contrapartida, existe alguma dificuldade em encontrar casa.

 -Para terminar, descreve Aveiro numa só palavra.

Acolhedora. Vim de uma cidade bastante longe de Aveiro e, quando aqui cheguei, rapidamente me senti em casa.

 

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