À conversa com a Guru da Sustentabilidade

Catarina Barreiros, uma das maiores influenciadoras digitais no mundo da sustentabilidade, fundou o blog Do Zero onde promove uma vida sem lixo e desperdício, com a mínima pegada ecológica possível.

Catarina, pode falar-nos um pouco sobre o seu percurso?

O meu percurso é um bocadinho atribulado para ser sincera, porque na faculdade estudei arquitetura e tirei o mestrado em gestão, portanto tudo fora deste âmbito da sustentabilidade. Também trabalho desde relativamente cedo e trabalhei primeiro em moda, dei aulas de piano, fiz assim uma série de coisas em que tudo que ia fazendo havia sempre uma maneira de ligar à sustentabilidade em backstage, ou da produção ou da indústria, e isso sempre me suscitou imenso interesse.

Mas, embora em minha casa tivesse ótimos exemplos dos meus pais – sempre fizemos a reciclagem e sempre poupamos imensos recursos – e mesmo tendo sido escuteira também, porque isso influenciou obviamente o meu percurso, a verdade é que foi só quando casei que mudei, enquanto consumidora, os meus hábitos para uns mais sustentáveis. O meu marido, enquanto ainda éramos amigos, levou-me a uma conferência da Béa Johnson (autora do livro: Desperdício Zero) e comecei a ficar alerta aí. No momento em que casamos, decidimos que seria uma ótima oportunidade para fazer as coisas de maneira diferente, pois foi quando comecei a ter uma casa, a ter que efetivamente fazer escolhas todos os dias, seja de alimentação, onde e como comprar, que tipo de embalamento. Isto é, tudo começou a depender muito mais de mim e comecei a ter mais responsabilidade sobre as minhas escolhas. Também, entretanto, fiquei grávida e tive que ficar em casa e comecei a investigar ainda mais um bocadinho o tema enquanto consumidora.

 

Vemos que a Catarina teve sempre ajuda do seu marido para esta causa, mas gostaríamos de saber, foi ele o primeiro a ficar preocupado com estas causas, foi a Catarina ou um mix dos dois?

Foi um misto dos dois, porque ele sempre pesquisou e viu muitas coisas, e sempre se interessou por imensos temas diferentes, mas para mim é mais fácil agir, para ele não tanto, ele é muito curioso e vai logo procurar muita informação, mas acabo por ser eu a agir e fazer alguma coisa em relação à informação que ele estuda. Mas ao início, sim, foi ele que me puxou muito, até porque eu era muito consumista, vicissitudes de começar a trabalhar muito cedo. Eu comecei a ganhar dinheiro cedo e a gastar dinheiro cedo, e como vivia em casa dos meus pais e ganhava um ordenado para mim, então era capaz de gastar 200 euros em roupa sem pensar muito no assunto, o que é um disparate a todos os níveis. Eu tinha esses comportamentos muito enraizados em mim, portanto foi um bocadinho difícil mudar, mas hoje em dia diria que sou eu que levo mais isto para avante.

 

Tem um grande interesse no mundo da moda e marketing, inclusive já trabalhou como stylist free-lancing. Que conselhos daria a quem está a começar a tentar mudar os padrões de consumo de fast-fashion?

Em relação à moda eu diria para começar a comprar menos, ninguém precisa de comprar 5 peças por mês, portanto começar por tentar reduzir o consumo. Depois, dependendo das carteiras claro, se uma pessoa tem mesmo de comprar uma peça de roupa e tem que optar pelo fast-fashion, pelo menos tentar que seja produzido localmente ou que tenha fibras um bocadinho mais interessantes, como linho ou lã. Mas o melhor é sempre tentar evitar comprar fast-fashion, porque a verdade é que temos marcas nacionais que se calhar custam 2/3 vezes o que custa uma peça produzida por uma marca de fast-fashion, mas se nós comprarmos 5 vezes menos, então conseguimos pagar essas 2/ 3 vezes mais. É tudo uma questão de perspetiva, porque eu antes se calhar gastava 200 euros por mês em 10 peças de roupa, que não precisava de comprar, mas hoje em dia eu não compro 5 peças de roupa por ano, portanto eu posso perfeitamente dar 100 euros por uma peça de roupa porque, nos máximos dos máximos, se comprar 5 peças de roupa, sendo que eu não as vou comprar, mas se eu comprar a 100 euros cada uma, que é um preço muito elevado porque nem sequer é necessário dar esse valor por marcas conscientes, nesse caso gastei 500 euros num ano.

Mas como isso ainda continua a ser muito elevado, o que eu escolho fazer, porque também gosto de controlar os meus custos, é comprar em segunda mão. Existem imensas opções para comprar em segunda mão, pois um dos grandes impactos na moda está na produção, e esse impacto já não o fazemos porque estamos a prolongar a vida da peça, e em estimativa, por cada 3 meses que prolonguemos o tempo útil de uma peça, conseguimos poupar as emissões da peça em cerca de 30%.

Por outro lado, onde também há um grande esforço ambiental nas peças de roupa é na manutenção, por isso obviamente, mesmo que não possam, ou não consigam, ou não estejam dispostos para já a mudar a parte da compra e produção, pelo menos a manutenção devia ficar bem feita. Isto significa reparar e remendar as peças que temos, significa não lavar cada vez que usamos, às vezes basta arejar, se tiver uma nódoa basta tirar a nódoa, não é preciso que cada vez que usamos uma peça de roupa a ponhamos logo para lavar, e mesmo quando às vezes não está a cheirar muito bem há muitas coisas de cheiros que saem com colocar ao ar livre e ao sol, e ajuda muito a tirar muita bactéria. Para além disso, vão ver muitas vantagens a nível económico também, porque a conta da luz vai começar a diminuir.

Por isso, eu acho que é tudo uma questão de perspetiva, e efetivamente saber onde existe o maior consumo, e o maior consumo é na produção e na manutenção, portanto, pelo menos numa das duas temos que assegurar que conseguimos ser mais sustentáveis.

 

Sabemos que o nascimento de uma criança altera a vida completamente. Deste modo, gostaríamos de saber como alteraram os seus hábitos, na área da ecologia, depois do nascimento da Gracinha?

Nós não mudamos muitos dos hábitos que já tínhamos, temos é menos tempo, e essa falta de tempo às vezes faz-nos cometer alguns erros, como pedir take-away porque não conseguimos cozinhar ou estamos cansadíssimos, mas são erros que às vezes são necessários para manter a nossa sanidade mental então aceitamo-los. Mas o que muda essencialmente é o bebé e não são as coisas da sustentabilidade. Para nós mudou tanto como para um casal que teve um filho e não está nada ligado às questões da sustentabilidade. Mas podem dizer: “Ah, mas tu usas fraldas reutilizáveis e tens esse extra todo”, mas esse extra todo comparado com o extra que é ter um bebé não é nada. Por isso a grande mudança está com o bebé, tudo o resto são coisas mínimas comparados com os desafios que a maternidade nos traz numa situação normal. Para mim, mudar uma fralda reutilizável, talvez porque nunca usei das outras, é um gesto automático, é pegar, tirar a fralda, sacudir a fralda e pôr na máquina de lavar. Por isso o meu conselho, se há alguns pais ou futuros pais que sejam preocupados com as questões da sustentabilidade, é: as questões da sustentabilidade é meterem na cabeça e fazerem, vão ser gestos automáticos, o desafio vai ser resistir a noites sem dormir (ri), resistir a bebés que não comem ou que não dormem. Até porque nós sabemos que quando estamos a adotar gestos mais sustentáveis estamos a fazer mais pela nossa filha, porque provavelmente na nossa geração não vai haver risco de não haver oxigénio, mas na dela pode haver, e por isso nós queremos assegurar o mesmo para o futuro dela e isto é uma motivação extra para darmos o nosso melhor e continuar a seguir o nosso estilo de vida sustentável.

Coisas tão básicas como ter um vermicompostor ou fazer compostagem em casa ou ter uma horta, que eu antes de ter uma filha não tive coragem e depois de ter tive. Porque ao lado de ter um filho tudo o resto é fácil, e também porque pensei: “eu vou querer mesmo dizer à minha filha que não fiz vermicompostagem porque tinha nojo de minhocas ou vou querer que ela se habitue às minhocas e perceba que são animais que não fazem mal nenhum?”. Eu vou querer ensinar-lhe o ciclo da natureza e se calhar com o compostor eu vou ter uma oportunidade de lhe ensinar qual o ciclo da natureza e ter oportunidade de a responsabilizar pelos recursos que produz e se calhar com a horta ensinar como é que crescem as plantas, pois não quero educar uma criança que come brócolos na sopa e nunca viu um brócolo a nascer.

 

Em que é que alterou a sua vida e visão sobre o mundo neste momento de pandemia mundial?

A minha vida alterou como em todas as casas. Estamos em confinamento e fez-nos pensar muito na forma como estamos em família. A Graça ia agora para a creche, e agora já decidimos que só vai em setembro quando fizer um ano. Houve uma oportunidade de gerir melhor a nossas relações familiares, podermos conseguir entrar dentro de casa e estar felizes uns com os outros, não nos fartamos. O meu marido é muito impulsivo, gosta muito de sair de casa, estar sempre a passear e perceber que também nos conseguimos orientar dentro de casa e estar felizes é importante.

Fez-nos também pensar ainda mais sobre o nosso consumo e a verdade é que o mundo em termos de emissões de carbono está um bocadinho melhor por causa desta pandemia: menos circulação, menos voos, menos transportes, mais telepresença e vejo uma oportunidade genial para as empresas que tiveram que ir sempre para escritórios tão grandes, os funcionários podem perfeitamente trabalhar em teletrabalho e eu acho que isto vai mudar o paradigma do mundo para melhor.

Não acho que seja necessário dizer que era preciso um abre olhos, porque infelizmente morreram muitas pessoas. Não acho que essa perda de vida seja necessária para nos abrir os olhos e, pondo-me no papel de alguém que perdeu um familiar, não é bom ouvir alguém dizer que isto era necessário… porque não era! Mas já que isto aconteceu, que sirva para nos abrir os olhos, porque vimos que as empresas que estavam preparadas continuam à superfície e a estar estáveis, e as que não estavam preparadas começaram a ir abaixo. O setor do retalho, como a moda, foi abaixo porque as pessoas começaram a escolher o que era necessário para a sua sobrevivência.

Isto é um test-drive ao que vai acontecer no mundo com o aquecimento global, vai haver um ponto de inflexão em que vão dizer ‘’a partir daqui podemos morrer amanhã, por isso ou isto muda ou muda’’. Isto foi um alerta e a pandemia levou-nos a perceber que somos muito rápidos a adaptarmo-nos à mudança. Agora é bom perceber que esta pandemia vai acontecer muitas vezes ao longo dos anos enquanto existir mercados com animais exóticos ao ar livre. Isto vai continuar enquanto houver esta má gestão do planeta, onde as cidades mais poluídas são as mais afetadas com este tipo de vírus, e por isso, temos que limpar as cidades cada vez mais. Vai haver iniciativas por parte de autarcas e eleitores para melhorar a qualidade de vida que temos na cidade e fora da cidade. As pessoas vão cada vez mais para o campo por causa da qualidade de vida e vamos assim assistir a uma desurbanização que é necessária tanto para a economia como para o ambiente.

Esta é mesmo uma oportunidade incrível para fazer melhor e vejo que atualmente imensa gente decidiu ter uma horta com o Covid, porque as pessoas perceberam que precisamos de ser auto-suficientes, de saber fazer as nossas coisas, porque não podemos dar como garantido que amanhã vamos ter comida na mesa, o que se torna num test-drive à nossa capacidade de resiliência. E eu estou muito surpreendida.

 

Nesta crise que estamos a ultrapassar, as famílias viram-se obrigadas a mudar os seus padrões de consumo, pensa que isto possa ter um grande impacto no estilo de vida das pessoas não só agora como também no futuro?

Eu espero que as pessoas continuem a comprar na economia local e nas marcas responsáveis. Agora está a haver um boom porque quanto mais marcas existirem deste género, mais os preços descem tornando-se mais acessíveis para a maior parte da população.

Eu tenho algum receio de que se as coisas voltarem à normalidade que vivíamos, possamos voltar a reverter tudo, mas eu duvido que a normalidade volte a ser o que era há três meses e por isso acredito que vai haver uma mudança sustentada pelos consumidores que estão cada vez mais sensibilizados para comprar aos produtores do que nas grandes superfícies, a preocupação das pessoas irem à origem e ver o que consomem.

A questão da conveniência depende da forma como gerimos os nossos horários e a conveniência tradicional na ida ao supermercado deixa de existir. Eu prefiro pegar na minha filha e ir a um mercado de produtores, porque assim dou um passeio com ela e brincamos ao ar livre enquanto faço as compras da semana. Estamos a repensar o quanto precisamos desta conveniência, já que neste momento não temos os mesmos ritmos que tínhamos antes, como as três horas que passávamos no trânsito.

 

Que 5 ações sugere aos nossos leitores para diminuirmos a nossa pegada ecológica?

Em primeiro, reduzir o desperdício alimentar, pois é o gesto com mais impacto que podemos fazer enquanto consumidores. Cerca de 33% do desperdício alimentar da Europa está nos consumidores.

Em segundo, adotar uma alimentação de base vegetal, que é a alimentação dos nossos avós de há 30/60 anos, um peixe é para uma família inteira para uma refeição, um pedaço de carne não deve ser de 500g mas sim 50g por pessoa. A maior parte do nosso prato deve ter hortícolas, vegetais e produtos de base vegetal. Não é adotar o veganismo ou vegetarianismo, não é eliminar as indústrias por completo, mas estas têm de se adaptar, porque estamos a consumir a um ritmo alarmante sobretudo carne de vaca. Mas há mais produtos preocupantes como o chocolate, café, cacau, caju.

Em terceiro, reduzir os transportes, especialmente os que não são movidos a energias renováveis, e substituir por um passeio a pé, por exemplo, onde podemos ir a ouvir um podcast.

Em quarto lugar, reduzir o consumo de água que é um bem escasso e que temos na mesma quantidade do que no tempo dos dinossauros, mas o ser humano apenas arranjou mais usos para a água que os dinossauros e por isso temos que fazer uma melhor gestão dos recursos. O consumo nas nossas casas não é só quando abrirmos a torneira, mas também no que consumimos, como a carne de vaca, o chocolate, e nas peças de roupa que têm um consumo exaustivo de água.

Em último, a educação, que é o mais difícil depender de nós. Considero importante a educação feminina, nos países subdesenvolvidos, onde é preciso mudar drasticamente o estilo de vida. A mudança de paradigma é a base da mudança. Precisamos de baixar o nº médio de filhos nos países subdesenvolvidos, porque são vistos como trabalho e depois não conseguem ter acesso a saúde e educação sendo um ciclo vicioso.

 

O que sente que ainda tem a melhorar para diminuir ainda mais a sua pegada ecológica?

Ainda tenho muito a fazer. Ainda posso diminuir mais o meu consumo e aprender a viver com muito menos do que tenho, como é o caso dos livros. Atualmente estou a tentar adaptar-me ao Kindle que é um comportamento pequeninho. Há uns tempos diria a compostagem, mas agora já faço. No entanto, quero plantar cada vez mais na minha horta e tornar um bocadinho o meu jardim num centro de atração de abelhas e insetos polinizadores.

Ainda posso fazer mais pela educação, quero investir muito em ajudar, embora ainda não tenha descoberto a ONG certa. Queria começar a passar mensagens de saúde no SUB global. Posso, também, reduzir ainda mais o meu consumo de chocolate, o desperdício alimentar, pois ainda tenho coisas para alimentar as minhas minhocas, e se existem é porque ainda há desperdício.

 

Se tivesse a oportunidade de propor uma medida legislativa, qual a primeira área de mudança que acha necessária?

Educação. Eu acho que a maior parte das pessoas não sabe o suficiente para ter comportamentos responsáveis. Ainda hoje recebo muitas mensagens de pessoas a dizer que deixaram as embalagens de plástico e agora só compram em vidro e sem a noção que descartar vidro é bem pior pois necessita de um consumo energético brutal e consome areia, logo não é uma escolha óbvia uma vez que gasta quatro vezes mais água e energia do que o plástico. O mesmo acontece com o papel que embora não dependa de combustíveis fósseis, se for necessário desflorestar uma floresta é ainda menos sustentável. Por isso neste caso devemos reduzir o embalamento, mas mantê-lo se isso reduz o desperdício alimentar.

Às vezes temos medo que as pessoas não percebam muito, então nós não lhes dizemos tudo e isso é um erro. As pessoas devem estar informadas de tudo por mais complicado que seja e o trabalho de quem está a lutar pela sustentabilidade é de simplificar, o que é muito difícil, mas sem omitir que há imensa coisa que depende, não sendo linear que o «plástico é mau, o vidro é bom». Não se pode dar meia informação às pessoas, é necessário investir em educação que diga que a ciência está sempre a evoluir e não sabemos tudo.

No meu caso faz sentido comprar embalamento em papel porque tenho um compostor de papel, mas não é verdade para toda a gente, porque a sustentabilidade não é óbvia em termos de materiais. Outro exemplo é a embalagem de pasta de dentes, que nem sempre é benéfico trocar por pastas em frasco de vidro porque há sítios onde reciclam a embalagem de plástico.

É importante dar a informação completa às pessoas, mas é muito difícil porque os dados dependem de quem os coleciona e analisa podendo chegar a conclusões muito diferentes, o que não quer dizer que sejam contraditórios, mas sim complementares. Temos que analisar os factos para extrapolar opiniões educando as crianças, adolescentes e adultos. Não podemos dizer que estamos num país democrático em que toda a gente tem o mesmo peso sobre o futuro do país se nem toda a gente tem informação sobre o futuro do país.

 

O que se imagina a fazer daqui a 5 anos? Em que projetos?

Estou a trabalhar num projeto top secret que espero que daqui a cinco anos esteja a andar, pretende facilitar a vida às pessoas e que, cada vez mais, estas tenham um comportamento mais sustentável sobretudo na parte do consumo.

Vejo-me também a trabalhar na educação, sobretudo para crianças. Gostava de criar um projeto de maneira voluntária, sem custos para as escolas, que conseguisse chegar aos miúdos. Dar informação de uma maneira descomplicada porque acho que as crianças absorvem com uma velocidade incrível e por isso informar de forma apropriada e mais complexa.

Não faço ideia do que estarei a fazer daqui a 5 anos, mas o céu é o limite.

 

Tem algum lema de vida que lhe dê forças para lutar por esta causa tão nobre?

Há uma frase ótima que é: “quem ama a meta deseja o caminho”. Eu uso muito desde que a conheci quando tinha 12 anos, pois acredito que se eu sei que quero chegar a um patamar, eu acredito que, embora o caminho possa ser atribulado, eu quero esses desafios pois são necessários para chegar onde eu quero.

Por outro lado, há outra frase que eu digo muito que é: “todos os gestos contam”. Quando nos criticam porque de repente somos vegan e mesmo assim andamos de carro todos os dias eu acho que é importante relembrar que é impossível fazer tudo bem, porque eu daqui a 10 anos posso descobrir que o que andei a fazer nem era o correto. Se eu não posso fazer tudo, porque não fazer alguma coisa? É o “pensamento do milhão’’, pois: e se um milhão de pessoas fizer o mesmo que eu? E se eu decidir não reciclar hoje? E se um milhão decidir como eu não reciclar hoje? E se eu decidir comer peixe e carne só às segundas-feiras? E se um milhão de pessoas decidir fazer o mesmo? É o pensamento da comunidade, às vezes sentimo-nos sozinhos, mas somos muitos milhões, e por isso, podemos perfeitamente adaptar a nossa vida, pois acredito que há mais de um milhão de pessoas a pensar fazer a mesma coisa.

 

A equipa da UPrise Talent, em particular a do Projeto de Empreendedorismo e Ambiente – Beatriz Fontes, Constança Alves, Mariana Neto e Mariana Martins Pacheco – agradecem à Catarina Barreiros pelo tempo disponibilizado e o contributo para esta entrevista.

2020-06-19T18:03:20+01:00By |Ambiente|

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