Erasmus: entre ir e ficar

Em 1987, a UE lançou o Programa Erasmus (European Region Action Scheme for the Mobility of University Students) com o objetivo de facilitar a mobilidade de estudantes e professores universitários. A partir de 2014, o Programa passou a ser chamado de Erasmus+, devido à fusão de outros 7 programas, abrangendo um vasto conjunto de dimensões.

Nas palavras da instituição europeia, o Erasmus+ “fortalece os sistemas de educação e juventude e melhora a empregabilidade através de financiamento para a educação, a formação, a juventude e o desporto”.

 

Para onde posso ir?

Podes escolher de entre os 28 países da UE e ainda a República da Macedónia do Norte, a Islândia, o Liechtenstein, a Noruega, a Sérvia e a Turquia. Claro que as opções à disposição vão depender da instituição que frequentas e do teu curso. Procura mais informações junto da tua Universidade!

Fonte: Comissão Europeia

 

Sabias que…

 

“Vais de Erasmus? Vai ser o semestre da tua vida”

Esta experiência pode trazer-te muitos benefícios:

  • Conhecer novas culturas, novas línguas, novas pessoas;
  • Para além de praticares o teu inglês, podes também ficar a conhecer a língua do país de acolhimento (o saber não ocupa lugar!);
  • Esta experiência de ERASMUS vai enriquecer o teu currículo: o empregador vai ver a tua capacidade de adaptação e mobilidade, e vontade de aprender e arriscar;
  • Vais aprender a desenrascar-te sozinho: a tua independência vai trazer-te liberdade e responsabilidade (pode ser o momento de conheceres os teus limites);
  • Novos amigos que vais poder rever mais tarde: podem visitar os países uns dos outros;
  • É claro que não podemos esquecer o ambiente académico!

 

O que não te contam…

Nem tudo vai ser fácil, e é preciso pensar nisso e ir de mente aberta:

  • É tudo novo e tudo diferente: o início pode ser um grande desafio e deixar-te um pouco sobrecarregado;
  • As saudades podem apertar: a tua família, os teus amigos, o teu país;
  • Enfrentar um sistema educativo diferente pode ser complicado;
  • Também não deves esperar que toda a gente seja simpática e esteja disposta a ajudar-te.

 

Testemunhos

Falamos com a Diana Carina, aluna de Gestão de Empresas e membro do departamento de Relações Externas da UPrise, e com o Pedro Miranda, aluno de Engenharia Informática e Computação, que nos deram os seus testemunhos sobre as suas experiências.

 

“Para ser sincera, as minhas expectativas não estavam muito altas em relação a vir para Riga. Sabia que era uma cidade muito fria e eu não gosto nada de frio, ia estar longe dos meus amigos e ia vir com duas colegas com quem não sabia se me ia identificar. No entanto, quando cheguei cá, fiquei encantada. A cidade é linda, o ambiente de Erasmus é incrível, encontrei aqui imensos portugueses que estão a estudar medicina e uns tantos que estavam cá também de Erasmus. A partir daí foi sempre a somar!

Quanto a aspetos positivos, vou salientar estar em contacto com outras culturas. Sei que é muito clichê, mas quando se está cá, é o que mais impacto tem. Perceber como pessoas de diferentes países reagem a um simples cumprimento, apanhou-me completamente desprevenida. Cheguei cá e como típica portuguesa, achava que dar dois beijinhos a alguém que conheço é normal. Não, não é.  Aprendi a ter imenso cuidado com isso e da forma como abordo e falo com as pessoas, a fim de toda a gente se sentir confortável. Além disso, claro que também é importante salientar a facilidade de fazer amizades e conhecer pessoas tão incríveis. Eu era capaz de sair à noite e conhecer mais de 20 pessoas. Portanto, para quem tem problemas em se relacionar, Erasmus é um programa que, sem dúvida, os irá ajudar! Para finalizar, as viagens!! Tive a oportunidade de visitar países incríveis e de viver experiências inesquecíveis que tornaram estes meses, os melhores da minha vida, sem dúvida!

Mas claro que também existem pontos negativos. Chegas a um ponto que começas a sentir imensa falta dos teus amigos, da tua família, da tua casa, do teu ambiente… Percebes que Portugal é um país espetacular e que nunca lhe deste o devido valor e só pensas em voltar” – Diana Carina.

Diana em Riga, Letónia

 

“Desde que visitei Roma em Maio de 2015, fiquei com uma grande vontade de um dia viver em Itália pois fiquei fascinado com a língua, com a população e com o país. Então quando em Setembro de 2015 entrei em Engenharia Informática e Computação na FEUP, defini como objetivo, quando chegasse a altura de ir de Erasmus, ir para Itália estudar, tanto por adorar o país e também pelo facto de sempre me terem dito que Erasmus era importantíssimo para um bom currículo e que fazia muitas vezes a diferença para as empresas.

No meu curso o mais usual é os estudantes irem de Erasmus no primeiro semestre do 5º ano (2º ano de Mestrado) e assim no primeiro semestre deste meu último ano vim para Ferrara, uma cidade situada entre Bolonha e Veneza. Tinha as expectativas muito altas por ter acompanhado o Erasmus de outras pessoas antes de mim e quando cheguei a Ferrara, no início, foi um pouco complicado. Aterras sozinho num país que não é o teu, onde se fala uma língua que não é a tua e vês-te a começar a tua vida toda de novo. Todos os teus amigos e família estão a 2000 km e és, de certa forma, obrigado a construir uma nova família e novos amigos na tua nova casa. Quando cheguei não tinha onde ficar e tive de “viver” a minha primeira semana num hostel, o que tornou essa semana, algo miserável.

Todos os dias pensava em desistir e voltar a Portugal onde tinha a minha vida bem organizada, mas como Erasmus é muito sobre saíres da tua zona de conforto, aguentei-me nessa primeira semana e depois desse período inicial e após ter-me organizado, tudo melhorou de forma exponencial. Conheci muitas pessoas, aprendi uma língua nova, aprendi a viver sem depender dos meus pais, convivi com ideologias diferentes, conheci dezenas de cidades incríveis e tudo isso foi muito enriquecedor.

As grandes vantagens de fazer Erasmus são mesmo estas, o conhecer novas pessoas com maneiras muito diferentes de pensar, o saíres do teu País e seres obrigado a resolver sozinho os problemas que te vão surgindo, o tornares-te mais independente para a tua vida futura e claro, as FESTAS, que são incríveis. De negativo, da minha experiência, registo o início, que pode ser um pouco complicado por não haver a “Safety Net” de teres os teus pais por trás a ajudar-te e a parte educativa, onde alguns professores, pelo menos aqui, parece que apenas te querem complicar a vida, mas que no fim acabam por ceder e te ajudar. Agora que começa a chegar a altura de voltar a Portugal, arrependo-me de não ter vivido ainda mais este tempo que aqui estive” – Pedro Miranda.

Pedro em visita a San Gimignano, Itália

2020-09-22T14:15:04+01:00By |Formação|

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