O tema das alterações climáticas e da poluição é já bastante discutido e o público começa a estar sensibilizado para o tema, especialmente as gerações mais novas. Os números podem ser preocupantes e o “deadline” para uma mudança está a aproximar-se. Sendo Portugal um país privilegiado em termos de exposição solar e costa marítima, será que está ao nível do seu potencial em energias renováveis? Que medidas estão a ser tomadas a nível fiscal? E quanto à poluição, estaremos a fazer o suficiente? Neste artigo iremos apresentar algumas das medidas ambientais em Portugal nestas áreas.

Energias Renováveis

É sempre possível fazer melhor, mas o esforço português neste sentido tem sido reconhecido. Este ano, Portugal recebeu o Troféu das Energias Renováveis, atribuído pelo Sindicato das Energias Renováveis. Esta é uma associação francesa que junta várias associações e empresas de todo o mundo. Este prémio já não era atribuído a um país há vários anos, o que o torna ainda mais prestigiante.

As razões por detrás desta escolha refletem o esforço feito até aqui – diminuição de 22% das emissões de gases com efeito de estufa desde 2005 e produção de 54% da eletricidade através de fontes renováveis – mas também as metas e compromissos futuros em termos de medidas ambientais.

 

Painéis solares

Portugal foi reconhecido pelo seu investimento em energias renováveis.

 

Medidas fiscais

Impostos e outras medidas deste género são sempre apelativas para os governos, visto traduzirem-se em receitas para o mesmo, e têm também um efeito dissuasor face à poluição. Neste contexto, Portugal destaca-se novamente, estando acima da média europeia na percentagem de receitas fiscais geradas por medidas ambientais. A média da União Europeia fica-se 6,1%, enquanto Portugal chega aos 7,5%.

Contudo, ainda dentro deste tema, o nosso país ainda tem um longo caminho a percorrer. O primeiro lugar deste ranking pertence à Letónia, com 11,2%. E como pode o nosso país continuar a destacar-se neste sentido? A OCDE recomenda o reforço na fiscalidade ambiental, especialmente ao nível dos combustíveis. Segundo esta organização, “os tarifários nacionais de algumas fontes de energia não refletem os custos ambientais associados à sua utilização”. Como tal, a OCDE propõe um aumento da carga fiscal no diesel.

Combate à poluição

Apesar de todos estes reconhecimentos e medidas, não cabe só ao governo zelar pela proteção do ambiente. Esse é um dever de todos nós e foi daí que surgiu a mais recente iniciativa da Universidade de Coimbra – “lixomarinho.app”. Como foi referido no início, Portugal tem uma invejável linha de costa, mas esta deve ser protegida e preservada.

O objetivo desta plataforma é “sensibilizar a população para o combate ao lixo marinho, contribuindo para a preservação dos oceanos, e alertar as entidades competentes para a urgência na adoção de medidas que permitam mitigar este grave problema ambiental global”. Esta plataforma permite contar e mapear o lixo marinho em várias praias da nossa costa e incentivar as pessoas a participarem em ações de limpeza. A plataforma permite compilar os resultados das várias ações de limpeza a nível nacional, para estudar o seu efeito e mapear a quantidade de lixo marinho ainda existente.

 

Areia molhada com pegadas

O lixo marinho é um grande problema de poluição a nível global.

 

O futuro

O balanço final das várias medidas e iniciativas parece ser positivo, mas ainda estamos longe de atingir os objetivos ambiciosos a que todos os governos se veem forçados a colocar, uma vez que o tempo está a contar. É preciso ainda fazer muito mais e as novas gerações estão atentas a este problema. Mas para as crianças poderem um dia herdar um planeta saudável e sustentável, a mudança tem de começar já e continuar a acelerar, antes que seja tarde demais.

 

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2019-03-20T00:17:44+00:00By |Ambiente|

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