Cidades de Capa Negra” é a nova rubrica do blog da UPrise. Aqui, queremos dar algumas respostas aos estudantes do secundário que se inquietam em relação ao futuro enquanto estudantes universitários. Escolher onde estudar vai muito além do curso e da faculdade. Todos querem ter a melhor experiência possível e tudo pode ser um fator influenciável.

Pretendemos explorar várias cidades onde se instaura a veia do conhecimento e por onde deambulam “capas negras de estudante”.

A primeira paragem deste novo formato é Coimbra. Esta é uma das cidades universitárias mais antigas de Portugal e do mundo.  Tudo começou em 1290 por vontade de D. Dinis.

Andou entre Coimbra e Lisboa, mas o Estudo Geral Português instalou-se definitivamente em Coimbra em 1537 e mudou para sempre a identidade da cidade. Cada uma das cidades portuguesas que acolhem instituições de ensino têm hoje a sua própria identidade estudantil. No entanto, não há como negar que Coimbra serviu de inspiração para todas elas.

Não está em Coimbra todo o conhecimento, mas está em Coimbra o ponto de partida para tudo o resto. E se temos de começar por algum lado, que comecemos pelo início.

Onde tirar o curso?

Se quiseres tirar um curso superior em Coimbra, as opções são variadas, tanto no ensino público como no privado.

A Universidade de Coimbra (UC) integra hoje oito faculdades. São elas Letras, Direito, Medicina, Ciências e Tecnologia, Farmácia, Economia, Psicologia e Ciências da Educação e Ciências do Desporto e Educação Física.

Existe também o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), que é composto por seis unidades de ensino, sendo elas a Escola Superior Agrária (ESAC), a Escola Superior de Educação (ESEC), a Escola Superior de Tecnologia da Saúde (ESTeSC), a Escola Superior de Tecnologia e Gestão (de Oliveira do Hospital) (ESTGOH), o Instituto Superior de Contabilidade e Administração (ISCAC) e o Instituto Superior de Engenharia (ISEC).

Relativamente ao ensino privado, Coimbra conta com o Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) e a Escola Universitária Vasco da Gama (EUVG).

Tradições académicas

Se queres ser emergido numa cidade em que o espírito académico predomina e a tradição está em cada esquina, Coimbra é o sítio que procuras.

Carolina Castanheira, 20 anos, estudante do 2.º ano em Farmácia na ESTeSC, nomeou a tradição académica como um dos motivos para ter escolhido Coimbra. Considera que “estas tradições tornam o percurso académico muito mais interessante” e diz que a sua tradição favorita é a Queima das Fitas.

Os estudantes trajados, a praxe, o fado de Coimbra, as tunas académicas e as serenatas, são só alguns exemplos daquilo que é a tradição académica na cidade.

Em relação à praxe, a Carolina considera que “em Coimbra, varia bastante dependendo do curso/instituto”. Acrescentou ainda que “depende muito das pessoas que estão a praxar e por isso é que pode ser considerado por uns uma experiência incrível e, por outros, algo nada cativante”.

Francisco Moita de 19 anos, estudante de 1.º ano em Economia na FEUC, frequentou no ano passado Gestão no ISMT (onde esteve três semanas) e Jornalismo e Comunicação na FLUC, no qual entrou na terceira fase. Experimentou a praxe do Instituto Miguel Torga e testemunhou algumas praxes da UC. Diz sentir que há uma grande diferença: “As praxes da Universidade de Coimbra são uma brincadeira autêntica a nível de esforço físico e tradições” comenta, de uma forma “positiva”.

Em Coimbra, o código de praxe costuma ser fortemente cumprido. Hugo Raimundo, que estudou Engenharia Electrotécnica no ramo da energia no ISEC, entre 2000 e 2008, reforça, na sua experiência, o respeito por este código académico.

Em Outubro há a Latada, que marca o início do ano letivo dos estudantes. É uma data principalmente importante para os caloiros que são “fantasiados” pelos padrinhos, na cor do curso, para o Cortejo. Em Maio, há a Queima das Fitas que, por sua vez, marca a aproximação do final do ano letivo. Cada uma destas festas leva à rua milhares de pessoas que se juntam num cortejo desde o pólo I da Universidade até ao rio Mondego.

Bruna Fernandes, de 23 anos, diz ter tido um “sentimento de pertença” em Coimbra. Licenciada em Antropologia pela UC em 2017,  “adorou as Latadas e as Queimas (que são mais memoráveis para uns que para outros), o batismo, a madrinha e os símbolos e rituais que cada ano do curso tinha”.

Cortejo da Queima das Fitas leva milhares às ruas

Alojamento

Em Coimbra, para quem estuda na zona velha da cidade, o problema da relação qualidade/preço intensifica-se. Os senhorios cobram rendas altas por espaços muitas vezes degradados, velhos, com poucas condições e pequenos. No entanto, há ainda muitas exceções e não se torna impossível encontrar quarto. O segredo está em procurar acomodação rapidamente, devido à elevada procura.

Outra opção para quem estuda na Universidade de Coimbra são as residências. A instituição conta com 14 residências e um total de 1350 camas espalhadas pela cidade.

Vida na cidade

Bruna, que acabou o seu curso no ano letivo de 2016/2017, considera que uma das vantagens de estudar em Coimbra é o facto de estudar numa “cidade pequena”. Tudo fica a distâncias curtas e isso pode ser um bom fator para economizar tempo. Para tirares a cabeça dos livros e relaxares, tens espaços para, tal como a Bruna, “beber uns finos numa esplanada a apanhar um solinho ou dar pequenos passeios pela cidade”.

Coimbra tem bastantes espaços verdes e para caminhar. Conta ainda com três centros comerciais e é ainda possível fazer compras nas lojas da Baixa. A nível de serviços como hospitais, correios ou bancos, é uma cidade bem servida.

Mas toda esta sensação de cumplicidade com a cidade por parte de quem lá estuda pode tornar-se um defeito para algumas pessoas. Bruna diz que, mesmo gostando destas características, sente que Coimbra peca “em não ser muito mais para além da universidade”.

Para quem passa os fins-de-semana ou parte das interrupções letivas por Coimbra, sente bem o peso que os estudantes têm na vida da cidade. Francisco, que é natural da cidade, diz que os fins-de-semana “são definitivamente mais pacatos que as semanas”.

O que visitar?

Coimbra é uma cidade que atrai muitos turistas. Um dos principais pontos visitados é o pólo I da UC. É a parte mais antiga da Universidade e com mais história. Lá encontramos a famosa Torre da Universidade, popularmente chamada “Cabra”, e a muito conhecida Biblioteca Joanina.

Outros famosos pontos turísticos são o Jardim Botânico, a Baixa, a Praça da República, o Portugal dos Pequenitos, a Quinta das Lágrimas, o Choupal e o Penedo da Saudade, o Museu Machado de Castro, entre muitos outros.

Coimbra é uma cidade cheia de histórias para contar. Desde a presença do Império Romano, passando pelos amores trágicos de Inês e Pedro, até à vida académica. Cada rua e cada local fala por si mesmo.

Onde comer?

Se escolheres fazer as refeições fora de casa, poderás fazê-lo numa das 15 Unidades Alimentares dos Serviços de Ação Social. As refeições sociais nas cantinas custam 2,40€. Alguns destes espaços encontram-se abertos à hora de jantar. Em relação às refeições servidas, a Bruna acha que “pelo preço, a comida não é má de todo”.

Já em relação a cafés e restaurantes, “existem espaços com preços mais baratos, outros mais caros, mas considero os preços acessíveis” confessou-nos a Carolina. “Adorava (e ainda adoro) o Brunns, aquilo tinha um ambiente incrível e eu adorava passar lá tempo com os meus amigos”, revelou a Bruna.

O tempo passado nas esplanadas e cafés de Coimbra marca muito a vida dos estudantes. O Hugo relembra “o saudoso Cartola”, um café no meio da Praça da República que congrega muitos estudantes nas tardes de sol. O Francisco, que gosta de correr os restaurantes da cidade desde novo, diz que “Coimbra é um ótimo local para comer”.

Os transportes

Se viveres perto da tua instituição de ensino, o que é bastante comum em Coimbra, irás andar quase sempre a pé. No entanto, se isto não for o caso, poderás deslocar-te de autocarro.

A Carolina utiliza os transportes públicos de Coimbra “frequentemente”, em particular, os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC). Sobre os SMTUC diz que “podiam ser melhorados”. “Sendo que grande parte dos utilizadores são estudantes, a nível tecnológico (aplicação para telemóvel) e de visualização dos horários, percursos ou viagens que temos no cartão, devia existir algo mais intuitivo e fácil”, sugeriu.

Se preferires táxi, existem várias praças de táxis pela cidade. Os táxis são muito utilizados pelos estudantes quando saem à noite para voltarem depois de acabarem os horários dos autocarros.

Se quiseres ir a casa aos fins de semana (como é o caso da maior parte dos estudantes) poderás fazê-lo de Comboio ou de autocarro.

A vida noturna

Se a vida noturna é algo que queres considerar ao escolheres onde vais estudar, Coimbra é uma boa opção.

A tradição académica reserva as terças e as quintas-feiras para este propósito. É nestas noites que irás encontrar mais estudantes pela Praça da República ou pela Alta, quer na rua quer dentro dos bares e discotecas, ou mesmo nas tascas e nos cafés. Seja em jantares de curso, festas académicas ou mesmo em dias “normais”, os estudantes de Coimbra gostam de sair.

“As primeiras quintas de cada semestre, ou durante algum convívio de maior dimensão, via-se imensa gente na rua, as esplanadas cheias, pessoas sentadas no meio da praça a beber, era lindo” relembrou a Bruna. A segurança é algo importante a ter em conta e, nesta cidade, a maioria dos estudantes dizem sentir-se seguros. Mesmo assim, não dispensam da companhia dos colegas.

Quem estuda, ou já estudou em Coimbra, diz que não há cidade como esta. Irás fazer “amigos para a vida” e aprender de cor a “Balada da despedida” (e provavelmente chorar enquanto cantas).

É provavelmente por estas razões que os antigos estudantes continuam a reunir-se passados tantos anos para recordar os velhos tempos. O Hugo, que atualmente vive no Porto, continua a ir à cidade “que vive de e para os estudantes”.

Bruna deixa um conselho aos atuais e futuros estudantes: “Aproveitem todos os momentos que têm para estar em comunhão com a cidade porque, acreditem, a frase «Uma vez Coimbra, para sempre saudade», é bem real”.

 

Autoras: Beatriz Gaspar e Mélanie Fernandes

 

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2019-02-03T17:34:41+00:00By |Cidades de Capa Negra|

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