ICBAS ou FMUP?

Para quem sonha com Medicina a vida toda ou para aqueles que idealizam a entrada no curso todo o secundário, o que é que motiva a escolha da faculdade? ICBAS ou FMUP? Eis a questão.

No que toca ao curso de Medicina, há sempre muitas variáveis à mistura.  Médias muito altas, muitas horas de estudo, muitas noites sem dormir, muita destreza e também muita coragem. Como em tantos outros cursos, Medicina envolve esforço e força de vontade. E tal como tantos outros cursos, envolve escolhas.

Médias

A Universidade do Porto detém as médias mais altas do país para os cursos de Medicina. No ano corrente, na primeira fase de colocações, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) liderou o topo, com uma média de 182,2, seguindo-se da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), com 181,0.

O número de vagas dos dois cursos diverge bastante entre si, tendo a FMUP disponibilizado 245 vagas e o ICBAS 155, fator que entra também nestas contas. Porém, ambos os cursos são conhecidos pela sua qualidade e prestígio. Tendo em conta todos estes fatores, o que motiva esta escolha?

Plano de Estudos

Ambos os cursos são mestrados integrados com 6 anos de duração, que equivalem a uma licenciatura em Ciências Básicas de Saúde e mestrado em Medicina. Para quem de Medicina entende, nada melhor do que ler o plano de estudos de cada curso para perceber a diferença de incidências sobre cada matéria.

É importante referir que o plano de estudos do ICBAS foi alterado, entrando em vigor, este ano, o novo plano. Aqui, os primeiros dois anos do curso de Medicina são puramente teóricos. No terceiro ano surgem os primeiros contactos com os doentes e do quarto ao sexto dão-se os chamados “anos clínicos”, cuja componente prática é, naturalmente, predominante. Durante estes três anos, o ensino passa por colher as histórias clínicas dos doentes e discuti-las com os professores. No quarto e no quinto ano há também um semestre de bloco médico e outro de bloco cirúrgico.

As experiências de Diogo e Mariana

Seis anos de FMUP

Diogo Melo Pinto terminou o mestrado integrado em Medicina na FMUP no passado ano letivo

Diogo Melo Pinto tem 24 anos e terminou o 6.º ano de Medicina na FMUP. Fez há umas semanas o famoso exame que lhe permitirá escolher a sua área de especialização.

Quando teve de fazer a escolha entre as duas faculdades, em 2012, viu-se confrontado com grande um dilema. “Eu na altura estava mesmo muito indeciso.” começa por dizer.

Falei com várias pessoas e o que me diziam era que o curso da FMUP era mais virado para a prática clínica, enquanto que no ICBAS tinhas um investimento maior na parte básica, na parte de investigação. Como era uma parte que me interessava menos, acabei por escolher a FMUP. Para além disto, como era o que tinha a média mais alta, uma pessoa tem tendência a associar a mais qualidade.” 

Diogo tem colegas no ICBAS e a perceção que retira deste contacto é que a diferença entre os cursos não é marcante pois, no final de contas, o aproveitamento final é equiparável.

“Os primeiros anos são bastante diferentes. Mas se tu fores fazer um resumo do que uma pessoa aprende no final dos seis anos e de como sai preparado eu acho que é mais ou menos equivalente.”

Do secundário para o ICBAS

Já Mariana Monteiro entrou este ano em Medicina no ICBAS. Depois de um ano em Medicina Veterinária, 2018 trouxe-lhe a oportunidade de frequentar o curso que

Mariana Monteiro, estudante de medicina, ICBAS

Mariana Monteiro entrou este ano em medicina no ICBA

queria na faculdade que queria.

“Pus o ICBAS como primeira opção. Falei com vários alunos mais velhos, de ambas as faculdades, e sempre me falaram no bom ambiente do ICBAS, entreajuda e disponibilidade dos professores, coisa que já tinha sentido em veterinária.

Do que retiro com amigos da FMUP, não sinto grande diferença a nível de ensino. A única diferença que vejo talvez seja na abordagem um pouco exagerada na quantidade de matéria e horários pouco flexíveis… tenho amigas que tinham frequências às 19h da noite, com meia hora para responder a 60 ou 70 perguntas…”

Mariana está a adorar o curso. A aluna diz que uma das grandes razões é o bom ambiente que se vive. Por outro lado, as muitas atividades extra-curriculares fazem também com que os alunos adquiram competências que vão para além da teoria.

“É um curso fascinante e exigente mas totalmente direcionado para as nossas práticas clínicas no futuro e nunca para nos tornar máquinas de estudo!”

Quem ganha o “duelo”?

No fundo, ambas as faculdades são excelentes e ambos os cursos são ótimas opções na formação de bons médicos. O percurso de cada aluno é algo muito próprio e parte do seu próprio esforço. No entanto, uma boa experiência de faculdade é meio caminho andado.

Felizmente, a Universidade do Porto é exímia em fornecer uma boa qualidade de ensino. Assim, podes sempre saber que terás uma boa experiência de ensino, quer as tuas cores sejam o amarelo ou o azuleamarelo.

 

———————————————————————————————————————————————–

Queres ler mais artigos que preparamos para ti?

Línguas Aplicadas

2019-01-17T23:21:28+00:00By |Cursos, Entrevista|

Leave A Comment