O Ensino Superior: Universidade vs. Politécnico

//O Ensino Superior: Universidade vs. Politécnico

“Qual a diferença entre uma universidade e um politécnico?”, essa é certamente uma questão que te surge quando pensas na tua candidatura ao ensino superior.  Vamos analisar esta temática aos mais variados níveis para que possas tomar a tua decisão com consciência.

  • O Ensino Superior em Portugal:

No ano letivo 2015/2016, existiam em Portugal cerca de 294 estabelecimentos de ensino superior. É de salientar a enorme oferta ao nível do setor público, contando com 101 estabelecimentos do ensino politécnico e 78 do ensino universitário. Em contrapartida no setor privado existem também mais instituições de ensino politécnico (67) em comparação ao ensino universitário (48).Nesse mesmo ano, estavam inscritos em cursos do ensino superior 356.399 alunos, dos quais 66% no ensino universitário e os restantes 34% no ensino politécnico. Esta predominância pelo ensino universitário poderá dever-se ao estigma social que a sociedade portuguesa ainda tem pelo ensino politécnico, considerando-o menos eficiente e eficaz.

Quanto ao nível de qualificação dos docentes, verifica-se uma maior presença de docentes doutorados no ensino universitário, porém existe uma maior evolução positiva no ensino politécnico, passando de 7,8% em 2001/2002 para 34,3% no ano 2015/2016 (politécnico privado, verificando-se a mesma tendência no politécnico público). O estigma social que referimos anteriormente poderá estar associado à maior frequência de docentes doutorados em instituições de ensino universitário.

 

  • Universidade vs. Politécnico: quais as diferenças:

*Ensino Universitário:

As universidades caracterizam-se por adotar um ensino mais direcionado para a vertente teórica, ou seja, para a transmissão de conhecimentos e competências através do estudo da teoria, porém tudo depende do curso que escolheres. Existem diversos cursos que têm fundamentação teórica muito mais elevada que outros, e que obviamente tem de ser estudada. É o tipo de ensino mais frequentado pelos estudantes portugueses, como vimos anteriormente.  Esta elevada preferência por parte dos candidatos faz com que as médias sejam mais elevadas nas universidades, quando comparadas a outras opções. Normalmente, nestas instituições de ensino as turmas são bastante mais numerosas, não permitindo ou dificultando a existência de uma proximidade de relação entre discentes e docentes.

*Ensino Politécnico:

Os institutos politécnicos são um tipo de ensino mais pequeno e mais direcionado para a vertente prática. A oferta em termos de cursos é bastante mais reduzida comparando com o ensino universitário, contudo é um ensino onde existe uma grande proximidade entre discentes e docentes, permitindo uma maior exploração das questões práticas. As médias são naturalmente mais baixas, devido à procura.

Por exemplo, consulta as grelhas curriculares (em hiperligação) da licenciatura do curso de Gestão na Universidade do Minho(UM) e as grelhas curriculares do mesmo curso no Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC).

Enquanto no instituto politécnico há vertente prática em todos os semestres, como pode confirmar os links acima facultados, o ensino universitário é muito mais baseado na teoria e na pesquisa. Ou seja, antes de escolheres a instituição de ensino, tem sempre em conta os planos de estudo do curso a que te candidatas.

Obviamente que a escolha entre estes dois tipos de ensino é bastante relevante, no entanto é importante salientar que podes prosseguir os teus estudos (para mestrado, doutoramento ou pós-graduações) tendo-te licenciado tanto numa universidade como num instituto politécnico, como nos demonstra o anexo seguinte (anexo A).

  • Taxas de Empregabilidade

A grande vantagem da universidade em relação ao politécnico, segundo dados de 2016, apontam para uma maior empregabilidade ao nível dos estudantes que frequentaram esse tipo de ensino. Contudo, isso poderá dever-se a um tema muito delicado, o estigma social que já foi levemente referido anteriormente.

Desde sempre que existe uma certa desvalorização quanto aos estudantes que ingressam pelo ensino superior politécnico. Este tipo de ensino é frequentemente associado a uma má qualidade ao nível da transmissão de conhecimentos e a uma fraca formação competitiva relativamente às universidades. Pensa-se também que os alunos que frequentam o politécnico são quase como “sobras” das candidaturas às universidades, o que é uma enorme falácia. Este é um fator que pode pesar nas estatísticas de empregabilidade.

 2017 é o ano que prova esta mudança de mentalidades relativamente ao ensino politécnico, isto porque a percentagem de alunos que entraram num politécnico aumentou 8,4% relativamente ao ano de 2016 (números revelados pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior). Prevê-se então que a taxa de empregabilidade no futuro seja mais equilibrada, uma vez que as grandes empresas procuram pessoas dinâmicas, práticas e multifuncionais, que consigam realizar as várias tarefas do quotidiano, estando aqui os estudantes dos politécnicos em maior vantagem.

Nos últimos anos, as instituições politécnicas têm “dado cartas” na investigação, tendo inclusive alguns ganho prestigiados prémios em investigações relacionadas com a educação, a saúde, a tecnologia e o empreendedorismo.

Se estás prestes a candidatar-te ao ensino superior, deves acima de tudo procurar informar-te o mais possível sobre a áreas de estudo que mais te interessam, as instituições que o disponibilizam e a forma como o fazem. Se estás nesta fase da tua vida, boa sorte para as novas experiências.

By | 2018-06-27T16:24:13+00:00 23.06.2018|Categories: Artigos UPrise|0 Comments

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