Japão: Um sistema educativo exigente?

//Japão: Um sistema educativo exigente?

Quando pensamos num país desenvolvido, super produtivo, rico e com alta tecnologia de ponta,  provavelmente uns dos primeiros nomes que nos vem à cabeça é o Japão. Esta razão vem da maneira de estar dos japoneses, algo que vem sendo implementado no seu sistema educativo desde há muitos anos.

Tudo começa na Era Meiji (1868-1912), altura em que o Japão começou a “ocidentalizar” o país.

Nesta altura, nem todos tinham a oportunidade de frequentar a escola (ainda não regularizadas pelo governo), estando apenas os mais ricos inscritos.  Para tentar mudar a situação, instauraram um modelo de educação com base nos sistemas educativos franceses, americanos e alemães.

Evolução educacional Japonesa

  • 1872: Escolas primárias, médias e universidades foram finalmente reconhecidas pelo governo. Para além disso, tornaram obrigatório 4 anos de estudo. As matrículas, no entanto, rondavam entre os 25 a 50%
  • 1905 : Com a existência de uma maior facilidade e necessidade por parte dos japoneses em frequentar o ensino, o valor subiu para os 90%. Dois anos depois, o Ministério da Educação, reconhecendo a importância deste número, estendeu o período de ensino obrigatório para 6 anos.
  • 1947: Estende-se em mais 3 anos o ensino obrigatório, passando para 9 anos, valor este que ainda se mantém, sendo agora os japoneses obrigados a frequentar a escola até aos 15 anos.

Como se organiza o sistema educativo japonês

  • Youchien – Jardim de infância –  até 3 anos
  • Shougakou – Escola Primária – 6 anos obrigatório
  • Chuugaku – Escola Secundária – 3 anos obrigatório
  • Koukou – Ensino Médio – 3 anos não obrigatório
  • Daigaku – Universidade – 4 anos, dependendo do curso
  • O período de Gimukyoiku (ensino obrigatório) é de 9 anos como já referido

O Koukou (ensino médio), apesar de não ser obrigatório, é frequentado pela grande maioria dos estudantes (96%), com taxas de abandono quase nulas (2%), e destes , 76 % acabam por continuar os estudos e ingressar no Daigaku (ensino universitário).

Escolas sem funcionários de limpeza?

Sim, no Japão não há funcionários de limpeza. Estes limpam desde as salas de aula às casas de banho. Isto ensina o valor do trabalho, do trabalho em equipa e desenvolve o respeito pelo meio ambiente.  Isto faz com que haja uma diminuição do individualismo, que é um dos pontos que o sistema educativo japonês tem como foco.

Atividades Extracurriculares são um fator importante

No Japão, as atividades extracurriculares são incentivadas pelas escolas e pela própria educação. Muitos alunos aprendem a caligrafia japonesa chamada Shodo, que é considerada uma arte, tal como a sua poesia chamada Haiku, valorizando assim a sua cultura e tradições milenares.

Para além destas atividades, os alunos são incentivados a ter aulas ou participar em mais que um clube dentro da escola, relacionados desde a música (piano, taiko, etc.) até ao desporto (beisebol, karatê, natação, etc.).

Tudo que referimos aqui faz com que os alunos passem maior parte do seu tempo nas escolas e por vezes, faz até com que se desloquem à mesma aos sábados, criando assim um espírito de união e fazendo com que socializem mais.

Sistema educacional demasiado exigente

A maior parte das famílias japonesas tem o sonho de ver os seus filhos ingressar no ensino médio (kokou) e posteriormente na universidade.

No entanto, para ingressar no Kokou, os alunos têm de passar por exames de admissão, que são bastante exigentes, obrigando os pais a terem de colocar os filhos em instituições conceituadas, em explicações ou centros de estudo. Com o acréscimo de este ensino ser efetuado, na sua maioria, em escolas privadas, faz com que as famílias tenham enormes despesas.

Mas não são só os exames de admissão para o ensino médio que são complicados. Ingressar na Universidade não é propriamente fácil (são chamados de “inferno dos exames” – Shiken Jigoku).

Portanto, não é de todo saudável, uma vez que cria uma enorme pressão e uma enorme competitividade entre os alunos nesta fase da sua vida. Nascendo daqui o bullying – Ijime, que leva em alguns casos ao suicídio jovem (problema bastante sério na sociedade japonesa, que tem uma das taxas mais altas a nível mundial).

Curiosidades

Japão: Um sistema educativo exigente?

  • Dentro dos clubes existe o chamado Senpai/kohai, ou seja, a ligação entre o mais velho e o mais novo, de forma a serem mais humildes. Esta ligação faz parte da estrutura que sustenta a sociedade japonesa atual.
  • Turmas entre 30 a 40 alunos.
  • Ano escolar é formado por três trimestres: de 1 de abril a 20 de julho, de 1 de setembro a 26 de dezembro, de 7 de janeiro a 25 de março.
  • Em algumas escolas japonesas não existe refeitório. Ou seja, os alunos almoçam em conjunto com o professor na sala de aula, havendo assim uma maior relação de proximidade entre ambos.
  • Perto de 87% dos estudantes frequentam as escolas públicas até ao fim do ensino secundário, situação que quase se inverte no ensino médio.
  • Faltas e atrasos não são bem vistos, tal como usar adereços, principalmente no caso das raparigas.

Olhos no Japão 

Podemos concluir que o sistema educativo japonês não tem só o seu foco na componente das hard-skills, mas tem também uma preocupação pelas soft skills, onde tenta sempre transmitir espírito de cooperação e de empenho.

O Japão ainda dá demasiada importância às notas, criando então uma enorme pressão nos estudantes, mas está a começar a mudar. Apesar de nem tudo ser perfeito, o Japão é um exemplo a seguir, não só para Portugal, mas sim para o mundo inteiro, de como incentivar os alunos a diminuírem o individualismo e a aumentarem a cooperação entre os mesmos.

Queres estudar no Japão?

Sim é possível, e agora ainda mais! Neste momento são cerca de 125 mil estudantes estrangeiros e o governo japonês quer subir este valor para 300 mil até 2020.

Existem 5 tipos de instituições de ensino superior onde os estudantes internacionais podem ser admitidos:

  1. Colégios de tecnologia

  2. Faculdades de treino especializado (curso de pós-graduação)

  3. Faculdades juniores

  4. Universidades

  5. Escolas de graduação. Estas instituições de ensino superior são categorizadas como nacionais, locais, públicas ou privadas.

Se estás mesmo interessado em estudar no Japão e queres saber tudo, desde como funcionam as candidaturas ou até qual o custo de vida, clica neste link:  http://www.g-studyinjapan.jasso.go.jp/en/

By | 2018-03-12T14:19:37+00:00 26.12.2017|Categories: Sistemas Educativos|0 Comments

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